Alerta sanitário sobre medicamentos injetáveis

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) iniciou uma investigação rigorosa após receber 13 notificações de pacientes que relataram problemas graves de visão após o uso de medicamentos conhecidos popularmente como "canetas emagrecedoras". O foco da apuração é uma condição rara denominada neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA), uma lesão no nervo óptico que pode resultar em perda permanente da capacidade visual. Os relatos envolvem fármacos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, amplamente prescritos para o controle do diabetes tipo 2 e para o tratamento da obesidade.

Medicamentos sob investigação

De acordo com as informações preliminares, os casos notificados à agência reguladora brasileira estão associados a medicamentos de grande circulação no mercado, incluindo Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro. A investigação busca determinar se existe uma relação causal direta entre o uso dessas substâncias e o desenvolvimento da neuropatia. O tema ganhou relevância internacional recentemente, após pacientes nos Estados Unidos moverem ações judiciais contra a fabricante Novo Nordisk, alegando que o uso dos produtos teria desencadeado a condição ocular.

Contexto de uso e riscos

O monitoramento da Anvisa ocorre em um momento de preocupação crescente com o uso indiscriminado desses medicamentos. Nos últimos anos, a popularidade das canetas emagrecedoras disparou, muitas vezes sendo utilizadas para fins estéticos sem a devida supervisão médica. A agência já havia implementado, em maio de 2026, um Plano de Farmacovigilância Ativa para acompanhar de perto os efeitos colaterais desses fármacos, dada a expansão do consumo e o aumento de complicações relatadas em todo o território nacional.

O que é a NOIA?

A neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica é uma patologia que compromete o fluxo sanguíneo para o nervo óptico. Quando o suprimento de sangue é interrompido ou reduzido, o tecido nervoso sofre danos que podem ser irreversíveis. Embora a investigação da Anvisa esteja em estágio inicial, a associação com os medicamentos de GLP-1 coloca em alerta tanto a comunidade médica quanto os usuários, reforçando a necessidade de cautela e acompanhamento clínico constante.

Recomendações das autoridades

Especialistas em endocrinologia e órgãos de saúde reiteram que esses medicamentos possuem indicações específicas e não devem ser utilizados sem prescrição médica. Além dos riscos de efeitos colaterais, o mercado paralelo tem sido um problema grave, com a circulação de produtos falsificados ou manipulados de forma inadequada, que não oferecem garantia de pureza ou segurança. A Anvisa continua analisando os dados das 13 notificações para definir se serão necessárias novas restrições ou alertas mais incisivos nas bulas dos produtos envolvidos.